Viveiro Municipal:
uma nova perspectiva

Rogério O. Schmidt

Rogério O. Schmidt
Engenheiro Agrônomo - chefe da Equipe de Produção Vegetal – Viveiro – Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus)

Viveiro

Fonte: Freepik

Nos últimos dois anos, o Viveiro Municipal tem experimentado novas técnicas, tanto na produção de novas mudas, manutenção das existentes no próprio equipamento ou manejo das implantadas na cidade.

Ao longo dos anos, novas técnicas de quebra de dormência, germinação e produção de mudas têm sido desenvolvidas por pesquisadores e, cabe aos técnicos e engenheiros agrônomos, florestais e biólogos do município o desafio de adaptar tais métodos ao sistema de produção de mudas. Muitos são os desafios encontrados, que se observam nas diversas etapas, desde a aprendizagem, adaptação e teste dos equipamentos e materiais, além da capacitação dos servidores envolvidos no processo, com início na coleta de sementes, limpeza até a germinação. Tal processo é longo e sem a parceria de instituições de pesquisa e envolvimento dos técnicos no processo é praticamente impossível implementar novas metodologias e inovar na produção de mudas, especialmente de espécies nativas e ameaçadas de extinção, cuja reprodução e desenvolvimento são mais difíceis.

Na produção de mudas, uma técnica inovadora e de grande eficiência é a desenvolvida pelo pesquisador Gilson Schlindwein, do Laboratório de Sementes do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA/RS), para produção de espécies de butiazeiro. Tal técnica envolve uso de equipamentos e materiais, bem como a capacitação dos servidores e passa por várias etapas, a fim de permitir a redução do tempo de germinação das sementes dois anos para 45 dias, bem como o aumento da taxa de germinação, a depender da matriz e qualidade das sementes, para mais de 90%. Essa técnica já está sendo utilizada, principalmente, para produção de mudas de butiazeiro destinadas à fruticultura. No Viveiro Municipal, a técnica será utilizada para produzir mudas da espécie Butia odorata, cuja ocorrência natural se dá no município de Porto Alegre, em especial nas áreas de remanescentes de butiazal junto ao Parque Saint Hilare.

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Na manutenção das mudas existentes no Viveiro e nas já implantadas, uma técnica nova e que está sendo testada, desde 2021, pelos técnicos da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus), tem sido a aplicação de mulching, seja sobre os vasos com mudas ou no entorno das mudas já implantadas. Tal técnica, já reconhecida e utilizada em outros países, está sendo adaptada às condições ambientais e às espécies nativas do município. Envolve a utilização de cavacos de madeira, oriundos da trituração parcial dos galhos de árvores podadas, os quais são processados e triturados na Unidade de Triagem e Compostagem (UTC) do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU), localizada no bairro Lomba do Pinheiro. Tal material, que originalmente seria encaminhado e depositado nas pilhas de compostagem, é, então, aplicado in natura sobre os vasos e no entorno das mudas. Dentre as várias vantagens e benefícios observados ao longo do tempo, verificamos: uma sensível melhora no desenvolvimento das mudas; redução acentuada no crescimento de plantas invasoras e competidoras por água e nutrientes; manutenção da umidade no solo; redução da necessidade de roçada junto ao colo das mudas implantadas, reduzindo, assim, o risco de anelamento das mudas; desenvolvimento de micro e mesofauna benéficas para o crescimento e desenvolvimento das mudas; liberação de nutrientes para as mudas com a decomposição parcial do material; entre outros benefícios. Tudo isso tem sido observado pelos técnicos, os quais têm avaliado a dose e a forma de distribuição correta do material junto às mudas. 

 

Dessa forma, percebe-se a importância dos técnicos em todo o processo de desenvolvimento e reavaliação do sistema de produção, implantação e manutenção das mudas, sem os quais, não haveria a possibilidade de seguir na busca por novas metodologias, tecnologias e procedimentos que visam, não só tornar o processo mais eficiente, como também ambientalmente sustentável.

Referências

HOW do I care for my tree? Mulching your tree. [S.l.]: Texas A&M AgriLife Extension Service, [s.d.]. Disponível em <https://tfsweb.tamu.edu>

HOW much mulch should I use around a tree? [S.l.]: Texas A&M AgriLife Extension Service, [s.d.].   Disponível em <https://agrilifeextension.tamu.edu/faqs/how-much-mulch-should-i-use-around-a-tree> Acesso em: 28 jul. 2022.

MULCH can damage trees. Blog  Landscape plants. [S.l.]: University of Florida, 24 jan. 2021.  Disponível em <https://hort.ifas.ufl.edu/woody/over-mulching.shtml> Acesso em: 28 jul. 2022.

REBELO, J. F. S. Princípios da agricultura sintrópica. [S.l., s. n.], 2018.  53p. 2018.


SCHLINDWEIN, G.;  TONIETTO, A. Germinação de sementes e produção de mudas de Butiazeiro. [S.l.]: Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA/RS), [s.d.].  6p. Disponível em: https://www.agricultura.rs.gov.br/upload/arquivos/202009/08132716-folder-ddpa-butia-web.pdf. Acesso em: 28 jul. 2022.

Artigos | Revista da Astec  v. 23 n. 49 agosto 2022 | Associado da Astec.