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Dinheiro há, mas Sebastião Melo faz caixa com o arrocho

Paulo Müzell

Fonte: Freepik

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Paulo Müzell

Economista aposentados da Prefeitura Municipal de Porto Alegre (PMPA) – Membro do Conselho Fiscal da Astec – Associado da Astec

Ingressei na Prefeitura Municipal de Porto Alegre (PMPA) em meados dos anos sessenta e me aposentei nos anos noventa, depois de mais de três décadas de trabalho como servidor, efetivo, concursado. Aposentado, continuei acompanhando as gestões da prefeitura, especialmente, na área orçamentário-financeira, contratação e realização de obras, nível de investimentos, política salarial, contratação de serviços, gastos na área social (educação, saúde, assistência social), dentre outros aspectos.

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Depois de quase seis décadas acompanhando as gestões de quatorze prefeitos da nossa cidade, desde Célio Marques Fernandes (1965), nomeado pelos militares, até a eleição de Sebastião Melo, em 2020, posso afirmar, sem nenhuma hesitação, que Melo é, sem nenhuma dúvida, o pior prefeito da capital, desde meados dos anos sessenta.

 

Neoliberal confesso, Melo anunciou e iniciou suas intenções e ações privatistas: pretende vender o DMAE e a Carris. Acelerou as parcerias público-privadas, autorizou cobrança de estacionamento na área do Parque Maurício Sirotski Sobrinho, pretende entregar o mais tradicional parque da cidade, a Redenção, à exploração comercial pela iniciativa privada. Chegou ao absurdo de transformar o tradicional réveillon do ano novo numa festa fechada, com cobrança de ingresso. Negócios e mais negócios. 

 

Logo após ter assumido a Prefeitura Municipal de Porto Alegre (PMPA), Melo tornou público seu amor pelo então presidente Bolsonaro. “Inaugurou” a duplicação da ponte do Guaíba abraçado ao seu presidente, hoje refugiado no exterior. Qualquer porto-alegrense medianamente informado sabe que mais de 90% das obras da ponte foram realizadas no governo Dilma.   

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A prefeitura, nos últimos dez anos, tem apresentado baixos níveis de investimento. Poucas obras foram realizadas e em ritmo lento. Nos anos noventa e início dos anos 2.000, a Prefeitura Municipal de Porto Alegre (PMPA) registrava taxas de investimento (relação despesa com investimentos/despesa total) de 8%, 9% ou até 10%. Já, no biênio 2019/2020, a taxa média foi de apenas 3%. Neste início de 2023, o governo Melo festeja uma taxa de 4,6%, ocorrida no ano passado. Uma boa recuperação, embora a taxa seja ainda modesta. 

Os funcionários da prefeitura têm sido vítimas do arrocho salarial ocorrido a partir de 2016. De maio de 2016 até o final de 2022, o IPCA registrou uma elevação de preços de 39,66% e o reajuste salarial do período foi de apenas 10,06%, pago em três parcelas. Para recompor as perdas, seria necessário um reajuste de 26,9%. Melo não dá nenhum sinal de que pretenda conceder qualquer reposição. Nos dois primeiros anos do seu governo, no biênio 2021/2022 a receita da prefeitura, favorecida pelo controle da pandemia, cresceu 31,6% e a variação do IPCA foi de 16,5%, um aumento de 13% acima da inflação. O último balanço da Lei de Responsabilidade Fiscal informa que, nos doze meses anteriores a outubro de 2022, ocorreu um superávit de um bilhão e 93 milhões de reais. As “burras” da Prefeitura Municipal de Porto Alegre (PMPA) estão cheias e, por isso, nem foi necessário antecipar, no final de 2022, a cobrança do IPTU/2023.  

 

Melo faz caixa com o arrocho, mas dinheiro há para repor as perdas dos que constroem Porto Alegre. Os municipários devem começar já a mobilização para deflagrar a campanha salarial em março!      

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Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores, não refletindo, necessariamente, a opinião da Astec.

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Artigos | Revista da Astec, v. 23, n. 50, março 2023.

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