Renata Machado Brasil, Diretora de Enfermagem do HPS, e coordenadores de enfermagem na apresentação do Projeto de Gestão Hospitalar- PROADI-SUS
Gestores da Enfermagem HPS no evento Health Meeting – 2025
Fonte: arquivo pessoal
A liderança como estratégia para melhoria de processos de enfermagem no Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre


Fonte: arquivo pessoal

Renata Machado Brasil
Enfermeira graduada pela PUCRS. Mestre em Saúde Coletiva – U FRGS. Especializações: 1. Terapia Intensiva Pediátrica e Neonatal. 2. Enfermagem e Nefrologia. 3. Qualidade e Segurança do Paciente 4. Educação para a saúde para preceptores do SUS. Diretora de Enfermagem do Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre. Docente da Escola de Saúde LaSalle Santa Casa - Associada à Astec.
A liderança, para além do conceito, constitui um desafio e uma construção cotidiana nas instituições. Liderar com relevância no mundo atual exige mais do que conhecimento técnico ou experiência acumulada ao longo da trajetória profissional. No Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Porto Alegre, os profissionais de enfermagem correspondem a aproximadamente 50% do quadro total de servidores. Nesse contexto, os enfermeiros ocupam cargos estratégicos de gestão e são responsáveis por liderar equipes administrativas e assistenciais.
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A liderança pode ser compreendida como a capacidade de conduzir pessoas a partir de suas motivações, em prol de objetivos comuns, contribuindo para a melhoria da organização. Engajar pessoas, saber inspirá-las e influenciar suas ações, decisões e comportamentos, direcionando seus esforços para alcançar os objetivos desejados (FACIÃO, 2022), são aspectos essenciais desse processo.
A liderança de enfermagem no ambiente hospitalar requer a gestão de equipes multiprofissionais, pacientes e familiares. Liderar, por si só, não é uma tarefa simples, especialmente em situações de urgência e emergência. Essa condição pode contribuir para a ocorrência de eventos adversos, muitas vezes associada à cultura da agilidade necessária para salvar vidas.
Em um hospital referência em trauma, a situação dos pacientes que chegam para atendimento, muitas vezes com lesões graves, exige dos profissionais da linha de frente respostas rápidas e assertivas. Esse cenário coloca à prova a liderança do enfermeiro na condução e na gestão do cuidado.
Em ambientes de urgência e emergência, as competências não técnicas são cada vez mais valorizadas. A combinação de habilidades sociais e cognitivas influencia diretamente a qualidade do atendimento. Quando o trabalho em equipe é eficiente, há impacto positivo no tratamento do paciente.
Para o desenvolvimento da liderança, é necessário que algumas competências estejam bem desenvolvidas, como: análise crítica e julgamento, visão e imaginação, perspectiva estratégica, comunicação eficaz, gerenciamento de recursos, autoconhecimento, resiliência emocional, motivação, sensibilidade, capacidade de influência e consciência (ARACEMA, 2020). Ademais, é indispensável que o enfermeiro demonstre empatia, paciência, escuta ativa, responsabilidade, autonomia e atitude, além de manter uma comunicação clara e eficiente (ARACEMA, 2020).
Para desenvolver essas competências, é fundamental investir em educação permanente e na experiência profissional. O enfermeiro precisa buscar atualização constante e o aprimoramento de suas práticas, especialmente no exercício da liderança, pois a forma como lidera sua equipe impacta diretamente o cuidado prestado ao paciente (ARACEMA, 2020).
É necessário que o enfermeiro identifique os fatores que interferem positivamente no uso das habilidades sociais, possibilitando a melhoria de seu desempenho. Da mesma forma, compreender os fatores que interferem negativamente nessas habilidades permite o desenvolvimento de estratégias de treinamento e aperfeiçoamento. Esse processo também contribui para que a instituição fortaleça sua cultura organizacional, promovendo uma gestão que alcance a excelência no cuidado de enfermagem, com interações sociais mais saudáveis (MONTEZELI, 2018).
Em contrapartida, existem diversos desafios na construção do enfermeiro-líder, que podem ser agrupados em duas grandes categorias: características pessoais e cultura institucional (PEREIRA, 2018).
A Trilha da Liderança foi desenvolvida pela Direção de Enfermagem, em conjunto com o Núcleo de Ensino em Enfermagem do HPS, com o objetivo de capacitar enfermeiros para o exercício da liderança. A proposta parte de fundamentos relacionados ao comportamento humano, incluindo a compreensão da psicofisiologia das emoções, estudos recentes das neurociências e o entendimento dos processos de programação e reprogramação comportamental. Além disso, promove atividades que fortalecem uma mentalidade protagonista diante das circunstâncias da vida.
Liderar a si mesmo é, em certa medida, conduzir a própria trajetória, em vez de ser conduzido por automatismos ou circunstâncias externas. Como expressa a reflexão: “quem olha para fora sonha, quem olha para dentro acorda”. Para liderar, é necessário autoconhecimento. Compreender quem somos, enquanto servidores públicos, e como podemos aprimorar nosso desempenho é essencial para o desenvolvimento da liderança pessoal. Tudo o que vivenciamos reflete, em alguma medida, nossos processos internos, o que reforça a importância de aprofundar o olhar sobre si mesmo.
A atuação dos enfermeiros em busca da excelência e da melhoria contínua dos processos de cuidado é resultado direto dessas ações educativas em liderança, contribuindo para a diferenciação do hospital. Portanto, investir na Trilha da Liderança tem se mostrado uma estratégia relevante. A liderança é fundamental para o sucesso de qualquer projeto ou organização, interferindo diretamente na satisfação e no engajamento das equipes, além de agregar valor ao atendimento prestado aos pacientes e usuários da instituição, em consonância com os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde.
REFERÊNCIAS
ARACEMA, Louise Scussiato. Desenvolvimento da competência liderança de enfermeiros no ambiente hospitalar: efeitos de um processo de coaching integrativo. Orientador: Aida Maris Peres. 2020. 142 p. Tese (doutorado) — Programa de Pós-Graduação em Enfermagem. Setor de Ciências da Saúde, Universidade Federal do Paraná. Curitiba, 2020. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1222348. Acesso em: 3 abr. 2026.
FACIÃO, B. H.; ARONI, P.; HADDAD RODRIGUES, M.; MALAQUIAS, T. D. S. M.; BARRETO, M. F. C.; ROSSANEIS, M. A.; HADDAD, M. D. C. F. L. Instrumentos para avaliação das competências de liderança em enfermagem: revisão de literatura. Enfermería: Cuidados Humanizados: Montevideo (Uruguai), v. 11, n. 2, dez. 2022. Disponível em: https://portal.revistas.bvs.br/pt/journals/?q=short_title:%22Enfermeria%20(Montev.)%22. Acesso em: 3 mar. 2023.
MONTEZELI, Juliana Helena et al. Percepções de enfermeiros acerca das habilidades sociais na gerência do cuidado sob a perspectiva da complexidade. Revista da Escola de Enfermagem da USP: São Paulo (SP), v. 52, n.0, 14 nov. 2018. Nota: DOI: https://doi.org/10.1590/S1980-220X2017048103391. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-985031. Acesso em: 3 abr. 2026.
PEREIRA, L. A. et al. Barreiras do processo de construção do enfermeiro-líder: uma etnoenfermagem. Revista de Enfermagem UFPE on line – REUOL, s.l.: Universidade Federal de Pernambuco, v.12, n.5, 2018. Disponível em: https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/view/230730. Acesso em 3 mar. 2023.
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