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Porto Alegre na pandemia: Como estão se virando os empreendedores

Que, com o vem e vai de regras sobre o funcionamento do comércio toda a população de Porto Alegre – e, em diferentes proporções, do mundo – vem sofrendo, não é nem preciso falar muito.

Foto Ricardo Giusti/PMPA

As notícias sobre as dificuldades estão em toda a parte, bem como os exemplos de solidariedade que, por mais que se multipliquem, não dão conta de matar a fome e assegurar a sobrevivência de todas as pessoas de modo digno. Nesse contexto, a reportagem da Revista da Astec conversou com cidadãos porto-alegrenses que buscaram alternativas para sobreviver à pandemia por meio de seus pequenos empreendimentos. Confira e inspire-se!


Há mais de 20 anos trabalhando com confecção própria, na zona sul da cidade, a costureira Sônia Maria da Silva e o marido, que já tiveram loja, estavam trabalhando principalmente com reforma de roupas, quando o isolamento social chegou. Como a maior parte da clientela era de senhoras idosas, a demanda caiu muito e deixaram de contar com a colaboração de uma costureira freelancer, que também pertence ao grupo de risco.

A produção de máscaras ajudou

a sair da crise / Foto Arquivo pessoal



A alternativa foi partir para a confecção de roupas sem muita modelagem, como pijamas, blusas básicas, camisetas e camisolas, além da produção de máscaras. Para alcançar os clientes, novas parcerias foram essenciais: uma costureira fora do grupo de risco, que também contribuiu para organizar vendas por aplicativo, e um motoboy para as entregas. “No começo, foi difícil e estressante”, conta Sônia, “mas, agora já nos adaptamos.”


Com um diferencial de atendimento personalizado, o casal Margarete e Miguel Dias conseguiu fidelizar a clientela, ao longo de duas décadas de funcionamento de sua pequena ferragem, na zona sul da Capital. Desde o último mês de março, foi esse vínculo de confiança que permitiu a sobrevivência e a reorganização rápida do empreendimento. O fluxo das vendas diminuiu – abril foi o pior mês – mas, a mesma administração rigorosa de recursos que possibilitou formarem a única filha em Direito, há alguns anos, agora evita a tomada de empréstimo bancário e mantém o negócio em funcionamento.


No interior da loja, apenas um cliente

de cada vez / Foto Anna De Carli/CarliCom


Embora o número de atendimentos presenciais tenha sido reduzido e só aconteça com um cliente por vez no interior da loja, as vendas por telefone e aplicativo foram intensificadas. As entregas domiciliares são feitas por Miguel, no próprio carro do casal – dependendo do montante da compra, sem cobrança de taxa. O volume de trabalho, de segunda a sábado, é grande e eles acreditam que, mesmo quando a pandemia passar, essa realidade vai mudar pouco, porque muitas pessoas estão satisfeitas com a comodidade das compras por telefone e aplicativo.


As vendas caíram pela metade e a inadimplência aumentou: das 20 a 30 obras por mês, a Poletto Inox, que atende Rio Grande do Sul e Santa Catarina, com a fabricação e instalação de corrimãos e guarda-corpos, passou a atender apenas de 10 a 20 clientes mensalmente, em média. Sediada, há três anos, na zona norte de Porto Alegre, a pequena empresa procura driblar a baixa do faturamento e manter a capacidade de sustentar as cinco famílias que dependem do negócio: três delas de integrantes da família Poletto e duas famílias de funcionários. Entre as novas medidas adotadas, está o enxugamento de custos e o lançamento de novos produtos para aumentar o giro de capital – espetos, grelhas, suportes de segurança para banheiro, lareiras ecológicas, pinças para vidro, dentre outras peças que levam tempo para ser fabricadas, estão sendo estocadas de acordo com as possibilidades do caixa da empresa.


Também foi necessário reduzir a carga horária em 30% e lançar mão da redução dos salários dos funcionários, para evitar demissões. Contudo, de acordo com Edson Poletto, responsável pela atenção aos clientes, “o aumento da rapidez nos atendimentos, com a agilidade no trânsito mais desafogado, e a manutenção dos empregos diante do cenário recessivo, têm mantido os trabalhadores motivados e esperançosos de que a situação melhore”.

Distância e máscaras para evitar o contágio

durante a instalação de corrimãos e guarda-corpos

para a proteção, principalmente,

de pessoas idosas / Foto Arquivo pessoal


Outra mudança importante foi observada nas visitas aos clientes, em grande parte idosos que necessitam a proteção dos corrimãos e guarda-corpos: o uso de máscaras, a manutenção da distância mínima de dois metros e a higienização constante das mãos com álcool em gel tornaram-se um cuidado constante por parte de todos na empresa”, destaca Edson.


Ir ao supermercado em tempos de pandemia é potencializar o risco de contrair a Covid-19. Intensificar a telentrega de verduras e legumes orgânicos, além de reduzir esse risco, foi o caminho encontrado pela Granja Maggi não só para manter como para ampliar as vendas, a partir do mês de abril. Com experiência de quatro anos em atendimento em domicílio, a família lançou mão da tecnologia para passar a abastecer um número maior de clientes, em Porto Alegre, região metropolitana e várias cidades do litoral norte do estado.

Produtos orgânicos, direto do produtor, vendidos por aplicativo e entregues em domicílio: receita para driblar a crise / Foto Arquivo Pessoal


“As pessoas estão mais estressadas”, explica Isadora Maggi, proprietária da granja. Mesmo assim, o atendimento personalizado e seguro faz diferença. “Somos cinco pessoas da família que tocam o negócio. No início, nós também nos estressamos com as mudanças, mas, hoje, tudo está sob controle e acreditamos que vamos permanecer com esse fluxo de vendas, mesmo quando o isolamento acabar”, afirma Isadora.




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