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Bibliotecas no isolamento

Atualizado: 29 de Set de 2020



Como funcionaram as bibliotecas da Prefeitura Municipal de Porto Alegre (PMPA) no período de isolamento social? Em entrevista à Revista da Astec, as bibliotecárias da SMAMS, Júlia Agustoni Silva e Elisabete Lorensi Ferreira falam sobre os impactos da pandemia no serviço prestado.


Júlia Agustoni Silva

Bibliotecária, CRB nº 10/1788. Equipe de Bibliotecas, Secretaria Municipal do Meio Ambiente e da Sustentabilidade (SMAMS).


Elisabete Lorensi Ferreira

Bibliotecária, CRB nº 10/2066. Equipe de Bibliotecas, Secretaria Municipal do Meio Ambiente e da Sustentabilidade (SMAMS).



Como o isolamento social impactou no ambiente das bibliotecas? Como era e como ficou?


JÚLIA – O atendimento presencial, obviamente, teve que ser suspenso. Primeiro, por conta do risco de contágio aos usuários e equipe e, em segundo lugar, pelo contágio do acervo. Procuramos minimizar o contato com nosso acervo para evitar mais um foco de contágio. Nosso atendimento ficou limitado a e-mail e telefone e os materiais emprestados e com devolução prevista para março deste ano, início da pandemia, estão sendo renovados automaticamente, de acordo com os decretos municipais. Houve um pequeno período em que trabalhamos presencialmente, mas, mesmo assim, a biblioteca estava com acesso restrito, apenas recebendo devolução de materiais. Na devolução, adotamos os protocolos de segurança estabelecidos pelos órgãos de saúde competentes e isolamos o material devolvido pelo período de 15 dias, a fim de evitar contágio ao restante do acervo.


ELISABETE – O atendimento físico foi suspenso, e, portanto, houve a necessidade de adequação para atendimento remoto; deste modo, a procura por materiais em formato digital aumentou. Com isso, priorizou-se a busca por materiais que pudessem ser acessados de forma virtual.


Vai longe o tempo em que o movimento do acervo das bibliotecas era controlado por meio de fichas de papel. O uso da tecnologia para essa finalidade tornou-se ainda mais importante com a pandemia?


JÚLIA – Vai longe mesmo! Sou bibliotecária há 15 anos e nunca trabalhei com fichas de papel. Desde 2013, ano em que iniciei na SMAMS, trabalho com sistema automatizado na Biblioteca. Todo nosso acervo já estava inserido no catálogo on-line antes da pandemia, bem como toda a legislação. Como trata-se de um sistema on-line, podemos fazer alterações e inserir novos materiais mesmo trabalhando de forma remota. Para o acervo bibliográfico, utilizamos o sistema Pergamum, onde está contido todo o acervo da Rede de Bibliotecas da PMPA (inclusive algumas publicações que podem ser acessadas remotamente) e, também, acervo museológico das pinacotecas municipais e Museu de Porto Alegre (para conferir o catálogo, acesse http://pergamum.procempa.com.br/biblioteca ). Para os atos legais, utilizamos o SAPL - Sistema de Apoio ao Processo Legislativo e às Leis Municipais (https://leismunicipais.com.br). Para as normas técnicas, também temos acesso on-line através de assinatura. Sendo assim, pouco mudou com relação ao uso de tecnologia, visto que já era nosso padrão.


ELISABETE – A Rede de Bibliotecas da Prefeitura de Porto Alegre faz uso de ferramentas de gestão da informação, como o Pergamum, há mais de dez anos. Esse recurso possibilita ao usuário a busca e recuperação de materiais disponíveis em todas as bibliotecas da rede, sejam eles em formato físico ou digital. Evidentemente que, com a impossibilidade de acesso aos materiais físicos, os materiais digitais são mais solicitados pelo público.


Quais os reflexos no trabalho dos bibliotecários da PMPA?


JÚLIA – Na SMAMS, o que mudou foi a falta de contato com o usuário. As demandas passaram a ser muito mais pontuais e diretas, sem a tradicional “entrevista” no balcão de referência. Antes os usuários solicitavam materiais sobre determinado assunto e, hoje, têm apontado um material específico.


As preferências de leitura/consultas mudaram?


JÚLIA – Mudaram. Antes os usuários retiravam livros para lazer, como literatura e revistas de arquitetura e decoração ou jardinagem. Atualmente o foco tem sido em legislação, normas técnicas e documentos pontuais para fins de trabalho.


ELISABETE – Os bibliotecários procuraram adaptar o modo de trabalho, a fim de continuar atendendo às necessidades informacionais do público, a despeito das limitações orçamentárias e de estrutura de trabalho, própria do momento delicado que estamos vivendo. Como exemplos de ações realizadas durante este período de pandemia, podemos citar o tutorial para utilização do sistema Pergamum, focado na busca de materiais nas bibliotecas da SMAMS, a iniciativa de criar um canal no YouTube, denominado “Bibliotecários contam histórias”, que contempla diferentes Secretarias da Prefeitura de Porto Alegre. Além disso, para seu público interno, a biblioteca continua divulgando os atos legais, e o boletim infantojuvenil passou a conter informações de livros em formato digital, disponibilizados por diferentes editoras durante o período da quarentena.


Houve uma preocupação em implementar o sistema Pergamum com publicações para download e, é claro, seguindo direitos autorais. Quais critérios?


JÚLIA – Logo que iniciou a pandemia, os bibliotecários da Rede de Bibliotecas da PMPA levantaram a questão de desenvolver uma política para catalogação de materiais em meio eletrônico. Já inserimos materiais desse tipo em nosso catálogo, mas nunca houve uma política que estabelecesse normas para tal. Como na Rede temos bibliotecas escolares, públicas, especializadas, pinacotecas, museus, divididos em diversas secretarias e departamentos, as demandas de trabalho neste período, para cada uma das bibliotecas, têm sido bastante particulares. As prioridades não coincidem e, portanto, ainda não conseguimos desenvolver algo para todas as bibliotecas.


ELISABETE – O processo de inserção de materiais em formato digital já era realizado anteriormente, com o cuidado de acrescentar materiais liberados para download pelas respectivas instituições que os publicaram. Além disso, muitas publicações, como periódicos, estão em processo de migração do meio físico para o digital já há algum tempo; esses materiais estão sendo cadastrados no sistema Pergamum já em formato digital.


A Comissão de Bibliotecários da Prefeitura está discutindo a elaboração de um manual para publicações eletrônicas a ser implementado pelas bibliotecas da Rede.



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