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Fórum de Entidades entrega relatório à Comissão Especial da Câmara de Vereadores, em 12/11/2025

Fonte: Prefeitura de Porto Alegre / DMAE

Novo Plano Diretor de Porto Alegre: uma revisão sem debate

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Foto: Guilherme Vivan/CMPA

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Maria Tereza Albano
Arquiteta (UFRGS 1976); mestre em Planejamento Urbano e Regional, especialista em Desenho Urbano e especialista em Planejamento Urbano e Regional (todos pelo PROPUR-UFRGS); pós-graduada em Formação Ambiental (FLACAM/ La Plata - Argentina). Na Prefeitura de Porto Alegre, atuou na Secretaria de Planejamento Municipal e na Secretaria Municipal de Urbanismo, nas quais participou de equipes e coordenou estudos e atividades relacionadas aos processos de vigência do 1º Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano de 1979 e do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano Ambiental aprovado em 1999. Aposentou-se em 2014. - Associada à Astec.

Em 2019, no Cinema Capitólio, em Porto Alegre, ocorreu o evento que deu início à revisão do Plano Diretor de 1999. Desde então, muitos acontecimentos marcaram o processo. A população foi convidada a participar de eventos de diversas naturezas: reuniões em grupos técnicos, seminários, oficinas regionais e pesquisas via internet, tudo registrado no site da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade de Porto Alegre (SMAMUS). Muitos desses eventos foram conduzidos com metodologias orientadas à obtenção de resultados, com votações ao final. Cabe avaliar, contudo, a efetividade da participação social e das metodologias utilizadas.

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É necessário registrar que todo esse processo não ocorreu sem turbulências. Em novembro de 2023, por decisão judicial, a Conferência de Revisão do Plano Diretor não pôde ter caráter deliberativo. Ao longo do período, as atividades do Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano Ambiental (CMDUA) foram suspensas e retomadas por duas vezes. Com isso, o processo de elaboração do conteúdo legal transcorreu sem discussão efetiva com a sociedade.

UMA AUDIÊNCIA PÚBLICA PARA APRESENTAR UM NOVO PLANO, NÃO UMA REVISÃO

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Anunciada com um mês de antecedência, a audiência pública do dia 9 de agosto de 2025 tinha como objetivo apresentar ao público os projetos de lei a serem encaminhados à Câmara Municipal, envolvendo, na prática, um novo Plano Diretor para Porto Alegre. No novo formato, duas leis complementares rompem com a tradição de um único documento legal.

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A primeira lei, o Plano Diretor Urbano Sustentável (PDUS), é definida como plano estratégico; a segunda, a Lei de Uso e Ocupação do Solo (LUOS), estabelece padrões para a regulação, especialmente de edificações, parcelamento do solo e atividades nas Zonas de Ordenamento Territorial identificadas pela nova proposta. Ambas têm como foco o desenvolvimento econômico da cidade. A cidade deve propiciar oportunidades de negócios; abre-se, assim, de forma mais intensa ao mercado imobiliário.

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Um PDUS bastante genérico não cria, necessariamente, vinculações com o plano regulador: deixa muitas questões em aberto, propõe diversas flexibilizações e remete várias regulamentações para o período posterior à aprovação da lei. Já a LUOS, mais objetiva, explicita até onde se pretende chegar, com novas volumetrias e empreendimentos capazes de alterar o perfil da paisagem urbana de Porto Alegre. Embora mencione o aumento da permeabilidade do solo, isenta dessa exigência zonas atingidas pela enchente de 2024, como o Centro Histórico.

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A audiência pública de 9 de agosto de 2025 revelou visões distintas sobre a cidade e seu futuro. Após a apresentação da equipe da prefeitura, foi concedido o tempo de dois minutos para cada uma das mais de 100 pessoas inscritas manifestarem suas preocupações. Ficou evidente que o conteúdo das leis não havia sido previamente debatido com a sociedade.

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Entre os temas mais polêmicos estiveram a altura das edificações e o aumento significativo dos coeficientes de aproveitamento. Decorrentes desses, surgiram preocupações com a densificação construtiva e a capacidade de suporte da infraestrutura, além de questões relativas à habitação social, à mobilidade e ao acesso à cidade. A equipe técnica alegou não ter elevado os índices, mas apenas compatibilizado os “adensáveis” e os “não adensáveis” do PDDUA em um novo índice básico e, a partir disso, proposto novos índices máximos com valores acrescidos.

Tabela 1 - Acréscimos índices máximos em relação aos índices básicos X alturas

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Nota: *maiores alturas no Centro Histórico e Quarto Distrito (mais atingidos pela enchente de 2024. | Fonte: da autora.

UM FÓRUM DE ENTIDADES PARA QUALIFICAR A DISCUSSÃO

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Instalado em 3 de outubro de 2025, o Fórum, composto por 74 entidades representativas da sociedade, tinha como desafio discutir o conteúdo das leis em um curto espaço de tempo e encaminhar o resultado de seu trabalho à Comissão Especial de Vereadores. Esse se constituiu em um importante espaço de apropriação dos conteúdos apresentados e, simultaneamente, de contestação de diversas propostas.

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COMISSÃO ESPECIAL REENVIA EMENDAS AO PLENÁRIO

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Por decisão da Comissão Especial, todo o trabalho desenvolvido pelo Fórum de Entidades retornou ao plenário. Sob a presidência do vereador Moisés Barbosa (PSDB), a Câmara Municipal realizou, desde março de 2026, sessões de discussão das emendas protocoladas em 2025, que somam mais de 500.

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Até meados de abril, haviam sido realizadas 17 sessões — 8 ordinárias e 9 extraordinárias. Nesse período, houve apenas um acordo para aprovação da Emenda 64 e de outras 18 emendas do grupo de oposição ao governo Melo. Para viabilizar esse acordo, os partidos de oposição renunciaram ao debate de outras 136 emendas.

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Entre os pontos aprovados, destaca-se a garantia da preservação do gravame das Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS) após sua urbanização, assegurando que essas áreas não sejam destinadas ao mercado.

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No cotidiano da Câmara Municipal, tornou-se frequente a realização de longas sessões, nas quais a bancada de oposição apresentava argumentos e fundamentava suas posições na defesa de emendas que buscavam qualificar a redação do plano. No entanto, os resultados das votações se deram, em grande medida, por blocos de votos contrários da base governista, sem aparente consideração das justificativas apresentadas.

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No dia 8 de abril, acompanhei, pela TV Câmara, uma sessão que se estendeu até a 1h57 do dia 9. Foi constrangedor constatar a desvalorização do debate sobre a cidade. Temas relevantes, como corredores ecológicos, topos de morros, gestão democrática (incluindo a composição e presidência do CMDUA) e o papel dos Fóruns Regionais de Planejamento, foram discutidos. Ainda assim, os resultados no painel eletrônico se resumiram a sucessivas sequências de votos “não”, registrados com rapidez.

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As sucessivas rejeições às emendas da oposição ao governo Melo marcaram a votação do PDUS, aprovado em 23 de abril de 2026, refletindo uma determinada concepção de cidade e de desenvolvimento urbano.

REFERÊNCIAS

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PORTO ALEGRE(RS). Prefeitura Municipal. Proposta PDUS e LUOS. Porto Alegre: SMAMUS, 2025. Disponível em: https://prefeitura.poa.br/smamus/novo-plano-diretor/proposta-pdus-e-luos.

 

PORTO ALEGRE(RS).  Projeto de Lei Complementar nº 019/25. Institui o Plano Diretor Urbano Sustentável do Município de Porto Alegre.  Proc. nº 01037/25 - PLCE 019/25. Porto Alegre:  Câmara Municipal de Porto Alegre, 2025. Disponível em: https://www.camarapoa.rs.gov.br/projetos/141633

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PORTO ALEGRE(RS).  Projeto de Lei Complementar nº 020/25. Dispõe sobre o parcelamento, o uso e a ocupação do solo no Município de Porto Alegre. Proc. nº - 01038/25 - PLCE 020/25. Porto Alegre:  Câmara Municipal de Porto Alegre, 2025. Disponível em: https://www.camarapoa.rs.gov.br/processos/141634

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Artigo | Revista da Astec, Ano v. 26, n. 55, junho de 2026

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