Ensaio Fotográfico
Às margens do Guaíba

Celso_Waldemar_Copstein.jpg

E-mail: celsocww@gmail.com - Celso Copstein Waldemar

Engenheiro Agrônomo da Coordenação de Fomento da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo (SMEDET). Há 31 anos no Município

APRESENTAÇÃO


Às margens do Lago Guaíba, ou simplesmente Guaíba, nasceu Porto Alegre.


O nome é originário do conhecimento geográfico da sociedade Guarani, um dos primeiros povos que aqui se aquerenciaram.


Significa lugar onde o rio se alarga (GUA - grande, I - água ou rio, BA - lugar).


A cidade que aqui surgiu sempre foi dúbia em relação ao seu lago.


Mesmo sendo um meio eficiente de transporte fluvial ao alcançar parcela importante do estado, mesmo tendo alimentado gerações e gerações de sociedades com abundância de pescado, é atualmente pouco navegável e malcuidado. 


É, ainda, local de destinação cloacal e industrial de toda a região metropolitana devido a seus cinco rios afluentes. Também recebe significativa carga de sedimentos e agrotóxicos oriundos da erosão dos solos agriculturáveis do planalto e da serra gaúcha.


Há pelo menos 30 anos, fala-se em sua recuperação com vistas ao retorno de sua balneabilidade e à ampliação dos esportes náuticos junto à região mais populosa da Capital.


Seu espetacular pôr do sol, visto nos parques e clubes à sua margem, nos faz esquecer momentaneamente a má qualidade de sua água.


Na orla, em dias de calmaria, pode-se escutar sua suave rebentação a murmurar, como se fosse um sussurro de Gaia.


Mesmo de longe, no topo dos seus morros graníticos vizinhos, registramos alguns desses momentos de admiração, ora por vislumbrarmos a estética natural da paisagem na zona sul e extremo sul da cidade, ora por visualizarmos, na sua região central, pelo contraste do skyline (horizonte) da metrópole gaúcha, o seu geralmente calmo espelho d’água. 


Há quem queira, voando, ver tudo de cima, não importa o tamanho de suas asas (ou de seu motor). A revoada de centenas de biguás, maçaricos do banhado e garças brancas, no ocaso do dia, em forma de V, que o digam.


A paisagem de Porto Alegre, às margens do seu velho e malcuidado amigo, apesar de tudo, ainda é encantadora. As 10 fotos aqui escolhidas em preto & branco e sépia sugerem isso. 

Artigos | Revista da Astec  v. 21 n. 48 outubro 2021.